JARDIM DIGITAL W4LKER

NOTAS E IDEIAS

Kierkegaard

data 03 02 2018

Metadata

  • Autor: Colecao Os Pensadores - Soren A. Kierkegaard
  • Título Completo: Kierkegaard
  • BI: 17240913
  • o paradoxo da fé (minha dissertação de filosofia)
  • 5 coisas sobre Kierkegaard

Temas chaves:

  1. Silêncio e sofrimento
  2. Síntese do homem entre o infinito e o finito, temporal e eterno, liberdade e necessidade
  3. Desespero e a relação do eu consigo mesmo
  4. Superioridade do homem sobre o animal
  5. A doença mortal do desespero
  6. O paradoxo do desespero e a eternidade do eu

DESTAQUES

  • silêncio, quer consista numa ação ou em um sofrimento. Para não me alongar mais, contentar-me-ei em analisar o que se apresenta. Se fosse Agamêmnon a puxar da faca sobre Ifigênia em lugar de Calcas, ter-se-ia diminuído ao pronunciar algumas palavras no momento supremo, porque o sentido da sua ação a todos se tornava notório; o processo da piedade, da compaixão, do sentimento, das lágrimas estava cumprido, e, para além disso, a sua vida não mantinha nenhuma relação com o espírito; quero dizer que não era um mestre ou testemunha do espírito. Pelo (Page 299)

  • O homem é uma síntese de infinito e de finito, de temporal e de eterno, de liberdade e de necessidade, é, em suma, uma síntese. Uma síntese é a relação de dois termos. Sob este ponto de vista, o eu não existe ainda (Page 318)

  • Eis a fórmula que descreve o estado do eu, quando deste se extirpa completamente o desespero: orientando-se para si próprio, querendo ser ele próprio, o eu mergulha, através da sua própria transparência, até ao poder que o criou (Page 320)

  • A superioridade do homem sobre o animal está pois em ser (Page 321)

  • nossa verticalidade infinita ou da nossa espiritualidade sublime. A superioridade do homem sobre o animal está pois em ser suscetível de desesperar, a do cristão sobre o homem natural, em sê- lo com consciência, assim como a sua beatitude está em poder curar-se. (Page 321)

  • Assim há uma infinita vantagem em poder desesperar, e, contudo, o desespero não só é a pior das misérias, como a nossa perdição. Habitualmente a relação do possível com o real apresentase de outro modo, porque, se é uma vantagem, por exemplo, poder-se (Page 321)

  • Mas uma “doença mortal” no sentido estrito quer dizer um mal que termina pela morte, sem que após subsista qualquer coisa. E é isso o desespero (Page 324)

  • Assim, estar mortalmente doente é não poder morrer, mas neste caso a vida não permite esperança, e a desesperança é a impossibilidade da última esperança, a impossibilidade de morrer. Enquanto ela é o supremo risco, tem-se confiança na vida; mas quando se descobre o infinito do outro perigo, tem-se confiança na morte. E quando o perigo cresce a ponto de a morte se tornar esperança, o desespero é o desesperar de nem sequer poder morrer (Page 324)

  • No desespero, o morrer continuamente se transforma em viver. Quem desespera não pode morrer; assim com um punhal não serve para matar pensamentos, assim também o desespero, verme imortal, fogo inextinguível, não devora a eternidade do eu, que é o seu próprio sustentáculo (Page 325)

  • Sócrates provara a imortalidade da alma pela impotência da doença da alma (o pecado) em destruí-la, como a doença destrói o corpo. Pode-se demonstrar identicamente a eternidade do homem pela impotência do desespero em destruir o eu, por esta atroz contradição do desespero. Sem a eternidade em nós próprios não poderíamos desesperar; mas caso ele pudesse destruir o eu, também não haveria desespero (Page 327)