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NOTAS E IDEIAS

dicotomia antigo e contemporaneo

criado em: 15:48 ensaistica-29

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neste ensaio, Livro I, xxi, na metade do parágrafo, na página 145 (ed 34, 2016) há uma breve discussão sobre o usar de costumes para ilustrar seus raciocícios - montaigne diz se inclinar mais para o aspecto filosofico e analitico, abstracionista do que para o aspecto factual e historico de seus causos - ele quer mostrar a essencia e a razao dos atos mais do que compilar historias. nisso se discute sobre sua metodologia - o que já é bem, evidente para quem leu ele, e será dito que "Considero aliás, menos perigoso escrever sobre coisas do passado que historiar as do presente, pois no primeiro não faz o escritor senão relatar acontecimentos pela autenticidade dos quais outros respondem."
Isso se relaciona com o que Eco, Umberto disse em Como se faz uma tese: "trate estudos contemporâneos como se fossem classicos e os classicos como se fosse contemporâneo". Ironicamente o que Montaigne chama de presente para nós já é antigo, e seu antigo, para nós, é quase que perdido.

Ainda sobre sua metodologia para escrever os Ensaios, Montaigne fala que nem por toda gloria faria algo como o que lhe pedem - um tipo de cronista da vida social atual - um analista filosófico das contradições do momento presente - e ele justifica dizendo que tem grande aversão a coisas que exigem "assiduidade e constância" - isto é, estar atualizado o tempo todo. Disso se deduz que Montaigne odiaria a vida moderna e a internet, os feeds e os blogs. Thoreau em Walden Or Life In The Woods vai dizer algo semelhante.